Eu mordo os dedos pra me manter aqui. Morde e não assopra, me deixa sentir o ardor. Deixa eu controlar minha boca pra ignorar você. Negar suas palavras. Palavras e silêncios que jamais se encontrarão? Por que eu me prendo com os dentes para não encontrar sua boca? Ainda que compartilhemos a mesma garrafa de cerveja, o mesmo fumo... O que impede de ir mais fundo? E por que, ainda assim, me mordendo para não te encontrar faço questão de estar a par da sua vida, comum como a minha? Dos seus sonhos, altos como os meus? Como é que eu falo tanto e calo o que mais quero? Eu mordo os dedos, os lábios e a língua pra me manter sóbria ao seu lado, e ficar, mas mesmo lúcida, mesmo marcada e calada eu vou. Não serviram de nada as minhas marcas de dente na mão, só de lembrança da força que faço para não cogitar você as mordendo. Minhas mordidas não serviram de nada e agora as marcas vem carregadas de uma lembrança de mais vontade que repulsa.

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